Escrever
Quando escrevo,
nao escrevo por escrever…
escrever
é uma forma de tentar libertar
os meus pensamentos mais obscuros.
É uma forma de descarregar
os meus pensamentos mais duros.
Como se cada corte
que faço na minha alma
e que por vezes me acalma
e alivia a minha dor
fosse a solução para tudo…
Reajo sempre
como se fosse o fim do mundo.
Cada cicatriz que fica no meu corpo e gravada na minha pele
tem um sentimento triste
amargo
cruel
Palavras… que são ditas ao acaso
e que denunciam um grande fracasso
disfarçado por uma grande vitória e por falsos sorrisos
que me saem do corpo
e não da mente.
Na minha cabeça
se repete todos os dias
a minha estúpida história
como se o meu corpo se deixasse levar
e se entregar a minha memória.
Quero livra-me destes pensamentos que me enchem de tristeza e solidão. Apenas.
Quero ultrapassar este momento
pois só sinto na minha vida
um forte trovão
que me eletrifica todos os dias
e me corta como se ficasse, sem coração.
Um corpo moribundo
que existe por existir e que vive por viver.
As vezes sinto-me sem vida e a morrer…
Sinto sempre
que algo havia a fazer
isto não passa de um pesadelo. Um dia vai passar
alguém vai me falar que tudo não passou
de histórias da minha cabeça
mas eu sei que tudo faz parte de uma dura realidade
e que não querem ver
o que aconteceu de verdade. Assim me engano
todos os dias
tentando me convencer que já não há saída.
Há solução,
e ela virá um dia, talves, quando eu morrer.
Pois para sempre ficará no meu corpo
um odor a podridão
uma repugna disfarçada
um nojo oculto
um frio coração.
Será que é egoismo? Será egocentrismo?
Não será de certeza
porque tento desviar sempre
todos os olhares de mim, para não perceberem a minha tristeza.
Todos os dias
morre um pouco de mim
como uma flor que não é regada
e se torna feia
no meio de um lindo jardim.
Mas ficando sempre na esperança, que amanha será um dia melhor
que da minha cabeça
desaparecerá
este triste horror,
que do meu coração
desaparecerá.